Mário Zambujal, um dos homens que contribui para a fundação do CNID, foi distinguido com o prémio Gazeta de Mérito do Clube de Jornalistas, na cerimónia que se realizou na Câmara de Lisboa na quinta-feira, dia 27.
O jornalista e escritor, de 89 anos, foi representado na cerimónia pela filha, Isabel, que leu um texto do pai adaptado às circunstâncias numa sala em que estavam nomes como Joaquim Furtado, Fernanda Mestrinho, José Rebelo, Eugénio Alves, Gonçalo Reis (vice da Câmara de Lisboa, que representou também o Presidente da República, que desta vez não pôde estar presente), a direção do Clube, nomeadamente a presidente, Maria Flor Pedroso.

A fotografia de família habitual com a presença de Gonçalo Reis, vice-presidente da Câmara de Lisboa
“Poderemos ter muitas razões de queixa, mas os Prémios Gazeta têm demostrado ao longo destes 40 anos que o jornalismo vale a pena”, começou por dizer Maria Flor Pedroso, presidente do Clube de Jornalistas. “Mesmo numa altura em que títulos que nos habituámos a comprar, a ler, a ver e a ouvir, passam por situações anacrónicas, com os Gazeta celebramos o jornalismo, com a carteira profissional que nos obriga ao cumprimento das regras do código deontológico que revisitámos no 4º. Congresso, em 2017.”
A presidente do Clube de Jornalistas frisou no seu discurso a importância de os jornalistas se manterem fiéis à missão primordial da profissão.
“Nunca podem perder o foco, nunca se podem esquecer do seu objectivo e para quem trabalham: para o leitor, o ouvinte ou o telespectador… Se nós abdicarmos do critério, da escolha, da edição, estamos perdidos. E há alguns de nós que estão a começar a estar perdidos, porque não têm critério jornalístico nenhum para as escolhas que fazem. A escolha de um jornalista é sempre uma escolha editorial – e isto nada tem que ser ver com direitas e esquerdas, e centros e extremas, como os políticos gostam de nos arrumar, para nos tentarem calar. Tem-nos faltado critério. E com isso perdemos credibilidade.”
PREMIADOS
Prémio Gazeta de Mérito – Mário Zambujal, detentor de uma longa carreira jornalística, iniciada na década de 1960 no jornal A Bola. Passou pelo Diário de Lisboa, foi subdiretor do Record, chefe de redação d’O Século e do Diário de Notícias, diretor do Mundo Desportivo, d’O Jornal e do Se7e, diretor-interino do Tal & Qual e colunista do 24 Horas. Na RTP durante 20 anos, destacou-se como apresentador do programa desportivo “Grande Encontro”. Escritor de renome, foi em 1984 distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2016, com a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa. Presidiu à Direção do Clube de Jornalistas entre 2007 e 2021.
Gazeta de Televisão – Jacinto Godinho e Carlos Oliveira, autores do documentário “Os Olhos da Revolução”, emitido pela RTP 1 em 26 de abril de 2024. Partindo do arquivo da televisão pública, é desenvolvida uma investigação sobre as primeiras imagens do 25 de Abril de 1974 – captadas por uma equipa de televisão francesa, que sabia de antemão do golpe; por um operador e um assistente de câmara da RTP, que avançaram para o terreno por sua iniciativa; por um cineasta amador.
Gazeta de Imprensa – Clara Teixeira, Joana Loureiro, Luísa Oliveira, Rui Antunes, Sara Rodrigues, Sónia Calheiros, Paulo M. Santos, João Amaral Santos e Filipe Fialho (textos), Lucília Monteiro, Luís Barra e José Carlos Carvalho (fotos), que em “Imigrantes – Os braços que nos alimentam”, reportagem publicada em 1 de fevereiro de 2024 na revista Visão, demonstram – através de uma abordagem exaustiva – quão positivo é para a riqueza do país, em diversos domínios, o contributo de “quem veio de longe, à procura do seu pedaço de sol”.
Gazeta de Rádio – Maria Augusta Casaca, que para a reportagem “Abril passou por aqui”, emitida na TSF em 24 de abril de 2024, percorreu o país em busca de traços e testemunhos das “campanhas de dinamização cultural e ação cívica”. Promovidas por militares do Movimento das Forças Armadas entre outubro de 1974 e 25 de novembro de 1975, as campanhas ajudaram a transformar o país, com ativa participação popular.
Gazeta de Multimédia – Joana Gorjão Henriques (investigação e texto), Joana Bourgard (edição multimédia) e José Carvalheiro (edição de imagem), autores “Anatomia de uma detenção pela PSP”, reportagem divulgada pelo jornal Público em 3 de novembro de 2024. O trabalho recorre a um conjunto de recursos técnicos e a uma multiplicidade de fontes para reconstituir, a par e passo, o caso dos jovens detidos após um protesto contra uma manifestação anti-imigração promovida pelo Chega.
Gazeta de Fotografia – António Pedro Santos, da Agência Lusa, pelo conjunto de imagens associadas às reportagens com o título genérico “A esperança venceu na Síria”, realizadas na sequência da deposição de Bashar al-Assad, a 8 de dezembro de 2024, que seriam divulgadas por diversos órgãos de comunicação.
Gazeta Revelação – Tatiana Felício, autora de “O rio que nos une”, reportagem da série A1 Doc, transmitida pela Antena 1 em 19 de março de 2024. Um registo, com particular sensibilidade, das relações entre as vilas de Alcoutim (Portugal) e Sanlúcar del Guadiana (Espanha), separadas pelo rio fronteiriço, mas que ao longo da história nunca deixaram de cultivar um sentimento de pertença comum.
O prémio Gazeta de Imprensa Regional, da responsabilidade da Direção do Clube de Jornalistas, foi atribuído ao Diário do Alentejo, semanário com sede em Beja, que se apresenta como “regionalista independente”. Fundado em 1 de junho de 1932, é o único jornal público do país, uma vez que a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo detém a propriedade. Tem vindo a revelar-se particularmente atento às novas realidades sociais de uma região em mudança, incluindo o elevado peso de comunidades migrantes.
Nesta 40.ª edição o Júri dos Prémios Gazeta teve a seguinte composição: Eugénio Alves (CJ), que presidiu, Cesário Borga (CJ), Eva Henningsen (Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal), Fernanda Mestrinho (jornalista), Elisabete Caramelo (professora universitária), Dina Soares (jornalista), Joaquim Furtado (jornalista),Fernando Cascais (professor universitário aposentado), Jorge Leitão Ramos (crítico de cinema e televisão), José Rebelo (professor jubilado do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa), Inácio Ludgero (fotojornalista) e Paulo Martins (jornalista e professor universitário).
(Notícia feita com base no site do Clube de Jornalistas)