Candidaturas abertas para o Prémio de Jornalismo “Desporto com Ética”

A XIV Edição dos prémios de Jornalismo ‘Desporto com Ética’, com organização do Plano Nacional da Ética no Desporto (PNED) e do CNID -Associação dos Jornalistas de Desporto, estão abertas até ao fim deste mês de Janeiro.

Jornalismo e emoção, por António Tadeia

Com a autorização do próprio e a devida vénia, publicamos a seguir um artigo de António Tadeia, interessante como reflexão de um Jornalista com muita experiência.

 

O MONOPÓLIO DAS EMOÇÕES

O meu cardiologista, o Dr. Santiago Nunes, é brasileiro e adepto do Internacional de Porto Alegre. Na última vez que estive com ele, perguntou-me uma coisa que há bocado me voltou a ressaltar na mente, quando trocava mensagens no meu servidor de Discord com um subscritor que me anunciou que ia desistir do serviço Premium do meu Substack. Dizia-me esse subscritor que era do futebol da “emoção, expectativa e desilusão” e que eu tentava reduzir o jogo a “movimentações e espaços virtuais, rabiscos, setas e zonas de ocupação ou projeção”. Declaro-me culpado, pois então. É isso que faço, na maior parte das vezes.
Mas o que o Dr. Santiago me perguntou aqui há um par de meses foi, recorrendo ao conhecimento que tem da realidade brasileira, por que razão eu não passava a ser antes comentador de um clube e, em vez de tentar ser um analista frio e objetivo, não me transformava noutra figura, porventura melhor para o negócio nestes tempos em que mandam as redes sociais e as emoções extremas a que elas dão boleia. Contou-me até que havia no YouTube um ex-jornalista que era agora comentador “do Internacional” e que a cada vez que o clube perdia (o que ultimamente tem acontecido muito) fazia uma pequena fortuna em lives. Porque toda a gente queria juntar-se àquele muro das lamentações para insultar o perna de pau que chutou para fora, o técnico que fez a escalação errada ou o cartola que escolheu mal o primeiro e o segundo.
O futuro está aí, eu sei. Infelizmente.
Pois bem, há uma série de razões que me levam a não mudar agora, aos 55 anos. Uma é que já tenho 55 anos. “Mas o Roncero”, respondem-me. “E o Edu Aguirre, que até é amigo do Cristiano Ronaldo”, acrescentam. “E o Gary Neville e o Jamie Carragher”, juntam ainda, para que não se ache que a coisa é exclusivo ibérico ou latino. Não importa. Quando vejo cantores pimba de 70 e tal anos vestidos com blusões de cores berrantes que usariam aos 18 naqueles degradantes espetáculos televisivos de domingo à tarde, eles não me parecem mais novos. Parecem só velhos armados em novos. Ora eu não só não sei fazer aquilo como acho que há outras formas de abrir os braços à modernidade (novas plataformas de divulgação do jornalismo, por exemplo). E sei que para fazer aquilo todos temos os nossos amigos mais fanáticos, deste ou daquele clube, com quem gozamos ou a quem aturamos consoante os resultados viram para um lado ou para o outro.
Depois, além de saber que esse seria um caminho sem volta, acho que essa não é, não pode ser, a missão do jornalismo. Numa altura em que já temos os bots do Twitter e do Facebook, em que os clubes usam as redes sociais e os próprios canais de televisão para travestirem desinformação em informação exclusiva, em que os treinadores e os jogadores cada vez mais só falam a canais próprios, para gáudio dos tais adeptos – que não entendem que de caminho perderam a capacidade para serem informados… –, o jornalismo deve temperar excessos, não alimentar-se deles. Não quero, como me acusou aquele subscritor prestes a abandonar, “expurgar o futebol dos seus adeptos mais fervorosos”, mas a minha missão também não é comportar-me como eles.
Claro que, como em todas as áreas de negócio, há quem faça mais dinheiro seguindo por vias que a mim, à luz da ética e da deontologia da profissão, me parecem menos corretas. Incompatibilizam-se com uns, passam a ser venerados como heróis por outros, mas no fim do dia não acrescentaram nada a não ser irascibilidade ao espaço público. Ou, como disse o meu subscritor desencantado, “gritos e gargalhadas, insultos e abraços, choro e paixão”.
São coisas importantes? Sim, claro. Mas as emoções não é a minha missão fornecê-las. Tal como não é a minha missão defender o futebol, como às vezes alguns dirigentes entendem que os jornalistas têm o dever de fazer. Não tenho de o defender cegamente nem de o atacar sem razão. Comporto-me como me comporto porque a minha missão é sobretudo a de escrutinar o futebol, compreendê-lo para melhor o explicar.
Quando Roberto Carlos (não o defesa-esquerdo, o outro, o cantor) celebrava só saber que emoções ele tinha vivido, era ele que as tinha vivido, não lhas tinham contado nem vendido. Uma emoção não se explica. Vive-se. E para a viver não vos faço falta nenhuma. A minha missão, aquilo para que alguns de vós me pagam os cinco euros de subscrição mensal, é tirar esse eu mais excessivo da vossa relação com o futebol e com o vosso clube em alguns momentos – não em todos, que era o que faltava terem que racionalizar quando gritam golo ou se abraçam no estádio ou no bar a perfeitos estranhos com quem partilham a paixão por um emblema. Mas quem sabe se, uma hora depois, já refeitos, não posso ajudar-vos a entender o racional de uma decisão tomada em campo ou fora dele, a perceber porque foi golo.
Gera-se um pouco, entre os desencantados do meu Substack, a ideia de que ando nisto em busca de unanimidades, de reconhecimento da minha superior capacidade de entendimento do futebol. Não só não ando como tenho alguma saudade do tempo em que podia viver as minhas emoções desportivas de forma livre – e daí ter andado anos atrás dos jogos de rugby do meu filho, na formação. Não há nenhuma superioridade intelectual na frieza face à emoção. E quanto aos unanimismos, gosto que discordem de mim – e por isso criei o Futebol de Verdade, para isso existe o meu servidor de Discord, onde debato os temas convosco. Não gosto de insultos ou de insinuações não provadas, mas se me predisponho a debater convosco os temas é para me bater pelas minhas visões. Não é, seguramente, para que me dêem sempre razão. Isso não me acrescenta nada. O que me acrescenta, sim, é que subscrevam e tragam amigos para a comunidade.
Sinto-me um pouco, como disse ao Dr. Santiago, a vender congeladores a esquimós no início da Idade do Gelo. Sei que estes dias são complicados para quem tenta racionalizar e escrutinar, porque os adeptos têm a dopamina de graça, logo acharão que não têm razão para pagar só para que lhe digam que não estão a perceber bem o que está em causa. Mas é isso que vos prometo, porque não só é o que acho que sei fazer como é o que acho que deve ser feito. E enquanto houver gente desse lado e eu tiver condições de gastar oito horas do meu dia a fazê-lo, é o que farei.
Em 2026, como acontece a todos os seis meses, o meu Substack vai ter mais umas ligeiras alterações. No dia 1 de Janeiro revelarei tudo.

António Tadeia

Boas festas!

O CNID deseja boas festas a todos e comunica que os seus serviços estarão fechados a 24, 25, 31 de Dezembro e 1 de Janeiro.

Boas festas para todos!

O CNID faz 60 anos em 2026. Temos que ser mais fortes!

Como já é tradicional, a Direção do CNID enviou aos sócios uma carta a dar conta do que será o próximo ano e da necessidade de pagar a quota atempadamente.

É do seguinte teor:

‘Caros (as) consócios (as),                                                                                                                                                                                                                                                                                            Dezembro 2025

O ano de 2026 está quase aí e marca uma data redonda: 60 anos do CNID! Foi a 21 de Maio de 1966, pouco antes do Mundial de futebol de Inglaterra, que se fundou esta associação, que teve que se chamar Clube porque naquele tempo o Estado ditatorial não permitia associações!

Felizmente há mais de meio século que não temos esse problema. Mas temos outros, como todos sabemos, num mundo que pula e avança como nunca. São muitos os desafios, porque temos que lutar pela relevância do Jornalismo na área do Desporto, porque só assim defenderemos competições justas e sociedades equilibradas. Dinheiro, apostas, doping, pouco acesso às fontes de informação, eis o que nos rodeia e que só pode ser enfrentado com mais Jornalismo, mais preparação, mais atenção, mais capacidades – incluindo, sim, Inteligência Artificial na medida exata.

Há sinais maus, que todos vemos, mas também há sinais bons, de projetos novos que honram a classe e mostram a relevância do Jornalismo. O mundo dos extremismos precisa de mais Jornalismo, não de menos.

Esperamos comemorar os 60 anos do CNID da forma mais interessante, abrangente e relevante. Para já o site campeoesdeportugal.pt já está acessível e vai ser devidamente apresentado nas próximas semanas; a criação da Confederação dos Jornalistas Desportivos Lusófonos também há-de acontecer dentro de pouco tempo; uma homenagem aos fundadores do CNID também será feita.

Estamos abertos a outras ideias e solicitações, para que o nome do CNID seja mais reconhecido e para que os sócios se sintam mais representados.

Para isso, também é preciso que os sócios continuem e que paguem a sua quota anual, que continua a mesma há muito tempo: € 50.

Para proceder ao pagamento deverá enviar, por correio ou através de transferência bancária para a conta do CNID – IBAN: PT50 0269 0158 0020 4508 11786 os 50 Euros. Se o pagamento for feito através de transferência bancária é imprescindível que nos enviem uma mensagem por e-mail para cnid@cnid.pt.

Para muitos é também ano de renovação do cartão da AIPS. A renovação do cartão ou o pedido de um novo cartão, cujo valor é de € 60, é feito no site aipsmedia.com, mas o pagamento deverá ser feito para o CNID também para o NIB acima. Pode efetuar uma única transferência para pagar o CNID e a AIPS

Esperemos que 2026 seja um grande ano para os Jornalistas Desportivos e para o CNID.

Juntos só podemos ser mais fortes. Contamos consigo!

Manuel Queiroz

Presidente da Direção’

Panathlon comemorou os 46 anos com a Bandeira da Ética

Mário Almeida, presidente do Panathlon, a discursar antes do jantar

O Panathlon Club de Lisboa levou a efeito o seu jantar de Natal, que contou com cerca de 120 convidados ligados ao movimento desportivo nacional e também gente que esteve na mais recente Ética Summit, que teve lugar em Setembro.

Entre os presentes contavam-se Rodolfo Begonha, Mariz Fernandes, Diana Gomes, muitos dirigentes federativos  e ainda Lídia Praça, a representar o IPDJ e o secretário de Estado do Desporto. Lídia Praça entregou ao Panathlon a Bandeira da Ética, no dia em que o clube festejava o seu 46. aniversário.

Lídia Praça, vogal do Conselho Diretivo do IPDJ

 

O CNID tem tido grande colaboração com o Panathlon, nomeadamente nas duas últimas Etica Summit, por isso esteve representado pelo presidente Manuel Queiroz.

Mário Almeida e o seu número 2, Fábio Figueiras, falaram, nos seus discursos, do que o Panathlon tem feito a nível nacional e até na ligação ao Panathlon Internacional, uma outra dimensão de atividade. A quinta edição da Ética Summit está já em preparação e o Panathlon conta alargar outra vez o número de inscritos, que já atinge vários milhares em todo o território dos Países de Língua Oficial Portuguesa. A Ética Summit é realizada toda online e naturalmente em Português.

A mesa principal do jantar

 

António Tadeia apresentou ‘Mister Amorim’

O Jornalista António Tadeia apresentou na sexta-feira, 12 de Dezembro, na FNAC do Colombo, o seu mais recente livro, ‘Mister Amorim’, uma edição da editora Manuscrito.

 

António Tadeia entre Raquel Vaz Pinto é Luís Paixão Martins

António Tadeia, 55 anos, descreve a trajetória do treinador que brilhou no Sporting e que agora está no Manchester United. Em 269 páginas, é descrito o percurso e também apresentadas as ideias do treinador.

Entre os presentes estava a D. Anabela, a mãe de Ruben, que António Tadeia destacou até porque não tinha sido formalmente convidada. Luís Filipe Vieira, José Eugénio Dias Ferreira, José Rachão, Carlos Dinis, bem como muitos jornalistas (ou ex-jornalistas) como Alexandre Albuquerque, João Querido Manha, José Ribeiro, Gabriel Alves e João Pedro Mendonça. O presidente do CNID, Manuel Queiroz, também marcou presença.

Raquel Vaz Pinto, benfiquista, e Luis Paixão Martins, sportinguistas, foram os apresentadores do livro. Paixão Martins lembrou que o Sporting teve que pagar 10 milhões ao Braga pelo treinador e muitos acharam caro. ‘Mas na verdade não foi, porque o Sporting contratou então um treinador, um diretor de Comunicação e um psicólogo, tudo num só’. Ou seja, nem foi caro.

O autor sublinhou que não quis entrar na vida privada do treinador, ‘não é isso que me interessa, o voyeurismo’ e então tratou sobretudo de procurar aquilo que define o treinador. ‘E Identifiquei quatro pilares do amorinismo: modelo de jogo, operacionalização do treino, liderança e comunicação’, explicando longamente cada um deles.

AOP comemorou 39.º aniversário

“Foto de família” com alguns dos participantes na cerimónia que assinalou o 39.º aniversário da Academia Olímpica de Portugal

A Academia Olímpica de Portugal (AOP) comemorou no dia 6 de Dezembro o 39.º aniversário com uma sessão solene realizada nas instalações do Ginásio Clube Português.

Na cerimónia foi apresentado o projeto Memória Oral do Olimpismo Português (MOOP), uma colecção de entrevistas em vídeo com diversos protagonistas olímpicos: atletas, técnicos, dirigentes, juízes.

A comemoração incluiu também uma conferência sobre «Inteligência artificial e desporto» pelo Prof. Dr. Duarte Araújo.

O CNID esteve representado pelo vice-presidente da Assembleia Geral, Mário Martins, também membro-fundador da AOP.