Em memória de Fernando Peres

Fernando Peres, referência do futebol português, campeão também no Brasil, faleceu no domingo, aos 77 anos de idade, após internamento no Hospital Egas Moniz, em Lisboa.  O funeral realizou-se ontem.

Profissional de eleição, Fernando Peres espalhou o perfume do seu talento futebolístico, na década 1960/70, pelos vários palcos onde atingiu notoriedade assinalável, em Portugal e no Brasil.

Homem de espírito livre e determinado, Peres foi agora derrotado pela vida que tanto amava. Deixou, por isso, em cada um dos seus muitos amigos um vazio estranho, porque a sua vocação para a amizade  também o enobreceu.

Foi no Belenenses que Fernando Peres, natural de Algés, despontou para as luzes da ribalta, estreando-se pela equipa principal dos “azuis” do Restelo em 1960.

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Faleceu Jacques Ferran

Jacques Ferran, um dos grandes nomes do jornalismo francês e mundial, faleceu hoje, aos 98 anos. Foi chefe de redação do “L’Équipe” e um dos jornalistas que esteve na base da criação da Taça dos Campeões Europeus em 1955 (foi ele que redigiu o primeiro regulamento) e da Bola de Ouro da revista “France Football” (1956), onde também foi nome grande.


Com Jacques Goddet (diretor do “L’Équipe”), Gabriel Hanot (editor da secção de futebol) e Jacques de Ryswick, Ferran foi um dos pioneiros que perceberam como o futebol podia unir uma Europa saída de duas guerras.


Nascido em Montpellier, em 1920 Jacques Ferran entrou no “L’Équipe” em 1948 e foi um dos fundadores da União Sindical dos Jornalistas Desportivos Franceses (equivalente ao nosso CNID), em 1958, como foi também presidente da Comissão de Futebol da Associação Internacional da Imprensa Desportiva (AIPS), sempre preocupado em promover o reconhecimento da profissão.


Foi também um homem de letras, autor de várias conferências e livros, foi crítico de teatro (os seus filhos estão ligados ao espetáculo, de resto) e foi ainda um homem da ética desportiva, conseguindo também a criação do Comité de Fair Play da Unesco. Fundou igualmente a Associação Internacional contra a Violência no Desporto.


Tinha-se retirado em 1985, após a trágica final do Heysel, mas continuou sempre com outras atividades, lançando o Sportel, no Mónaco, convenção de media e marketing do desporto (Ferran era um grande amigo do Príncipe Rainier).

Joana Schenker recebeu Prémio “Atleta do Ano”

Joana Schenker, Murillo Lopes e Carlos Paula Cardoso

A campeã do mundo de bodyboard, Joana Schenker, da Associação de Boadyboard de Sagres, recebeu o Prémio CNID “Atleta do Ano 2018” na 23.ª Gala da Confederação do Desporto de Portugal (CDP), recentemente realizada no Casino Estoril.

Joana Schenker – que conquistou em 2017 o título de campeã do mundo de bodyboard, na Nazaré – não pôde estar presente na Gala do CNID realizada em Maio, no belíssimo cenário do Bom Jesus (Braga), porque na altura se encontrava a competir no Chile.

A entrega do Prémio CNID esteve depois prevista para Sagres, onde Joana Schenker reside e treina, mas isso acabou por não ser possível.

Entretanto, devido à simpatia dos dirigentes da CDP e à sólida amizade construída ao longo do tempo entre os dirigentes do CNID e o presidente Carlos Paula Cardoso e o vice-presidente Ilídio Trindade, Joana Schenker recebeu o troféu por ocasião da Gala da Confederação, no palco grandioso do Casino do Estoril.

Coube a Murillo Lopes, secretário-geral do CNID, entregar a distinção a uma Joana Schenker visivelmente feliz. O presidente da CDP, Carlos Paula Cardoso, testemunhou o momento.

Na ocasião, o dirigente do CNID manifestou a gratidão da Associação dos Jornalistas de Desporto à CDP.

Joana Schenker com 0 presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares, distinguido com o prémio “Personalidade do Ano”, atribuído pela Confederação do Desporto de Portugal

Parabéns, “A Bola”

“A Bola” assinala hoje 74 anos de existência e o CNID – Associação dos Jornalistas de Desporto saúda, na pessoa de Vítor Serpa, diretor do jornal, todos quantos trabalham no mais antigo diário desportivo português.
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“Há 74 anos, o desporto estava longe de conhecer a dimensão social, económica, política dos tempos de hoje, e foram também os jornalistas desta área, não raras vezes desvalorizada e desrespeitada, que ajudaram, e muito, a fazer do desporto aquilo que ele hoje é.

A BOLA é, por isso, um pilar essencial do jornalismo, de uma sociedade livre e da dimensão universal da língua portuguesa. Nas diversas plataformas em que chegamos ao mundo, nunca tanta gente nos leu, nunca tanta gente nos viu, nunca tanta gente nos fez companhia.

A BOLA é, hoje, mais do que uma marca forte a debater-se com a crise global dos jornais em papel, um projecto de futuro, um projeto que sabe por onde vai e, não menos importante, sabe por onde não quer ir.

Entramos, pois, com uma atitude de optimismo responsável neste ano em que ncaminhamos para os 75 anos, as Bodas de Diamante. E, tal como no dia 29 de janeiro de 1945, sentimos, todos nós, os que trabalhamos nesta casa, umjuvenil e ardente desejo do futuro.

O passado orgulha-nos, o presente estimula-nos, mas é o futuro que nos mobiliza, sabendo que só os mais competentes sobreviverão, só os mais crentes no decisivo valor do conhecimento e do saber estarão aptos a continuar.
É urgente saber criar e inovar. Claro que é muito mais difícil do que repetir. Porém, é isso mesmo que todos os mestres esperam dos seus melhores discípulos.”

(excerto do Editorial da edição de hoje de “A Bola”, assinado por Vítor Serpa)

Seminário conjunto FPF – CNID redundou em assinalável êxito

O seminário “O Futebol Nacional e a sua Regulamentação”– organizado conjuntamente pela FPF, através da Portugal Football School, e pelo CNID – foi uma excelente oportunidade de formação para as três dezenas de participantes.

Os trabalhos, que decorreram ao longo do dia na Cidade do Futebol, incluíram intervenções sobre temáticas na área do Direito do Desporto, por José Manuel Meirim, presidente do Conselho de Disciplina da FPF, João Leal, diretor de Registos e Transferências da FPF, e Marta Cruz, diretora jurídica da FPF.

Na sessão de abertura, Fernando Gomes, presidente da FPF, fez o balanço da atividade da Portugal Football School e sublinhou o ambiente de forte cooperação entre FPF e órgãos de comunicação social.
“Acreditamos que haverá sempre espaço para todos os que pretendem fazer bem ao Futebol – e que a comunicação social e a imprensa desportiva têm um papel fundamental para esse objetivo comum”, disse.

Lembrando o futuro lançamento do canal 11, os cursos dedicados à área de media realizados nas últimas semanas e a visita, na sexta-feira da semana passada, de cerca de meia centena de jornalistas à Cidade do Futebol para se familiarizaram com a tecnologia do vídeo-árbitro, Fernando Gomes lembrou que a sociedade será tanto mais forte quanto mais tiver uma imprensa “livre, bem formada e ainda melhor informada”.
“Na presença dos dirigentes do CNID, reafirmo o que escrevi há poucas semanas: o futebol pode não conseguir mudar o mundo, mas tem, pelo menos, a obrigação de tentar. Procuraremos sempre estar à altura das nossas enormes responsabilidades”, concluiu.

Manuel Queiroz, presidente do CNID, lembrou que a realização deste tipo de iniciativas conjuntas é um desejo antigo da Associação dos Jornalistas de Desporto e elogiou o posicionamento da FPF em relação aos órgãos de comunicação social.
“Conhecemos bem o Dr. Fernando Gomes e esta FPF e sabemos que não têm a tentação de quererem mandar nos jornalistas. Isso também se deve a ter a consciência de que estes jornalistas nunca permitiriam ser mandados”, disse Manuel Queiroz.

Congresso da AIPS: o VAR veio para ficar (*)

Massimo Busacca apresentou resultados da utilização do vídeo-árbitro no “Mundial” da Rússia

 “No início, olhei para o vídeo-árbitro (VAR) com muitas reservas. Hoje, porém, penso que o VAR é indispensável ao futebol”, afirmou Massimo Busacca, diretor de Arbitragem da FIFA, durante o 82.º Congresso da Associação Internacional da Imprensa Desportiva (AIPS), realizado esta semana, em Lausanne (Suíça).

Numa conferência que prendeu a atenção da centena e meia de participantes no congresso, Massimo Busacca apresentou o balanço pormenorizado da utilização do VAR no recente “Mundial” da Rússia.

O ex-árbitro internacional e agora dirigente da FIFA começou por colocar uma pergunta: “Porquê o VAR no Campeonato do Mundo?”. A resposta foi detalhada:

– O futebol pediu para eliminar erros claros nas decisões dos árbitros, que podem mudar o resultado dos jogos;

– As equipas não querem perder por causa de erros claros dos árbitros;

– O futebol é um grande negócio; em cada jogo os árbitros têm uma enorme responsabilidade;

– Uma só decisão pode mudar a carreira de um árbitro; (“Um jogador passa ao lado do jogo, mas marca um golo decisivo aos 89 minutos: é a figura do jogo, é considerado um herói. O árbitro toma decisões acertadas durante 89 minutos, mas tem uma decisão errada que decide o vencedor, no último minuto: é completamente destruído”, comentou.)

– Uma só decisão pode mudar completamente um jogo.

E isto apesar de reconhecer que “os árbitros de topo não cometem muitos erros”.

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COMUNICADO

1. A Direção do CNID decidiu na sua primeira reunião deste ano, no dia 17 de Janeiro, debater com profundidade ao longo do ano vários temas e um deles é o jornalismo em televisões de clubes desportivos.

Há sensibilidades diversas sobre o tema e sobre se quem faz informação nestes Órgãos de Comunicação deve ter acesso a carteira profissional. De resto, têm chegado ao CNID relatos informais sobre práticas da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista que também nos parecem pouco corretas.

A ideia do CNID é pedir a jornalistas ligados a estes órgãos que dêem o pontapé de saída com artigos e entrevistas a publicar no nosso site e noutras plataformas, para depois se fazer um debate final que produza conclusões relevantes.

2. O CNID lembra a quem faz trabalho jornalístico que se os dirigentes ou os jogadores podem dizer o que quiserem, tendo eventualmente por limite a educação de cada um, os jornalistas têm restrições sérias, porque devem obediência a um Código Deontológico e a uma Lei de Imprensa. Um jornalista deve, em todo o momento, manter um comportamento de elevação, de educação e de defesa das boas práticas da profissão.

3. Os clubes desportivos devem também tomar medidas para que estes meios de comunicação não vivam num limbo onde tudo é permitido, desde condições de trabalho precárias até à não observância de regras elementares de urbanidade e bom senso.

Lisboa, 25 de janeiro de 2019

Pela Direção do CNID – Associação dos Jornalistas de Desporto

Manuel Queiroz