Há uns anos estava em Monrovia, era o George Weah o presidente da Liberia.
Eu estava no rooftop do meu hotel, Royal Grand Hotel, ainda durante o Covid e logo após os voos serem retomados.
Tinha ido visitar um cliente .
Eram umas 6 da tarde, estava por ali a beber um Gin.
De repente, algum movimento, militares entram, investigam, conversam com o gerente e vão embora.
Ai uns 10 minutos depois vejo o George Weah entrar com a família.
Sentaram-se tranquilamente, era noite de liga dos campeões e os vários ecrãs espalhados estavam a dar vários jogos mas não o que eu queria ver, então tinha o meu telemóvel ligado no meu jogo.
Estava distraído, a ver a bola, à espera da comida, tinha encomendado Sushi, quando alguém se aproxima e pergunta se posso ir até à mesa do Mr. President…
Perguntei o motivo.
“No worries, his excellency wants to meet you.”
Eu a pensar: conhecer-me a mim? Mas lá fui.
Ele levanta-se e diz. ” sorry to disturb you but i am curious… you are the first non-african (foi esta a expressão) that i see around in the past few months, what are you doing in our country?”
(Desculpe estar a incomodá-lo mas estou curioso. Você é o primeiro não-africano que vejo por aqui nos últimos messs, o que está a fazer no nosso país?)
Expliquei, disse que vivia no Ghana e que tinha a Libéria como país a visitar, que tinha um cliente etc etc.
Convidou-me a sentar, perguntou o que achava do País. E depois de alguns minutos de conversa perguntou de que pais eu era.
Respondo.
Ele começa a rir e eu automaticamente digo.
I know Jorge Costa the famous headbut …
(Sei do Jorge Costa e a famosa cabeçada)
Depois, disse-lhe o que fazia antes de decidir vir para África. Que até tinha trabalhado nesses 2 jogos em estúdio. Que me lembrava bem.
Ele sorria, e acaba por me dizer. “You know. That was the worst moment of my career. But for me he step my hand deliberately and 2 weeks after I still had that pain with me so I lost control and hit him, I regret that so many times but sometime ago we were in the same pitch when he was coaching Gabon and we talk and I apologise and we gave a big hug. He was a hard defender. One of the best I faced as a player.”
(Sabe esse foi o pior momento da minha carreira. Mas para mim ee pisou-me deliberadamente e duas semanas depois eu ainda tinha essa dor e por isso perdi o controlo e bati-lhe. Eu arrependi-me disso tantas vezes mas há algum tempo, quando ele treinava o Gabão estivemos no mesmo estádio e falámos e eu pedi desculpa e ele deu-me um grande abraço. Era um defesa duro. Um dos melhores que defrontei como jogador).
E por ali ficámos um par de horas na conversa. Quis obviamente tirar fotos mas o seu protocolo não autorizou. Diziam não ser correcto um presidente aparecer num bar em plena época de Covid a tirar fotos .
A marca da pisadela do Jorge Costa ainda a carrega. A aliança partiu e entrou pelo dedo , a marca está la. E hoje no dia em que o Jorge nos deixou, tenho a certeza que quando souber vai olhar para o dedo.
Com a devida vénia, do FB do Pedro Cid, antigo jornalista da Antena Um e que hoje completa 56 anos. Pedro Cid coloca este encontro com George Weah a 20 de Setembro de 2020